top of page

O que é H. pylori? Entenda a bactéria que pode afetar o estômago

Foto do escritor: Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
25 de ago.
6 min de leitura
Entenda o que é H. pylori, seus sintomas, como diagnosticar e tratar a bactéria e sua relação com gastrite, úlcera e câncer gástrico.

Você já ouviu falar em H. pylori ou Helicobacter pylori?


Essa pequena bactéria pode viver no estômago e, em algumas pessoas, permanecer durante anos sem causar sintomas. Em outras, pode provocar inflamação da mucosa do estômago, gastrite, úlceras e aumentar o risco de algumas doenças gástricas.


Por isso, identificar a infecção e, quando indicada, realizar a erradicação da bactéria é importante para a saúde digestiva.


O que é o H. pylori?


O Helicobacter pylori é uma bactéria que consegue sobreviver no ambiente ácido do estômago.


Ela pode colonizar a mucosa gástrica e provocar uma resposta inflamatória. Em algumas pessoas, essa inflamação permanece por muito tempo, podendo levar à gastrite crônica.


Nem todas as pessoas infectadas apresentam sintomas. Por isso, ter H. pylori não significa necessariamente sentir dor ou desconforto no estômago.


Quais problemas o H. pylori pode causar?


A infecção está relacionada principalmente a:

  • gastrite crônica;

  • úlcera gástrica;

  • úlcera duodenal;

  • alterações da mucosa do estômago;

  • maior risco de câncer gástrico;

  • linfoma gástrico do tipo MALT.


A relação entre H. pylori e doenças gástricas é bem estabelecida na literatura científica.

Isso não significa que toda pessoa infectada desenvolverá uma dessas doenças. O risco depende também de fatores relacionados ao organismo do paciente, à bactéria e ao ambiente.


H. pylori causa gastrite?


Pode causar sim.


A presença da bactéria pode provocar uma inflamação persistente da mucosa do estômago, conhecida como gastrite crônica associada ao H. pylori.


Em algumas pessoas, essa inflamação permanece por muitos anos sem sintomas evidentes.


Com o passar do tempo, entretanto, podem ocorrer alterações na mucosa gástrica, especialmente em pessoas com determinados fatores de risco.


Quais são os sintomas do H. pylori?


Muitas pessoas com H. pylori não apresentam sintomas.


Quando existem manifestações, elas podem incluir:

  • dor ou desconforto na parte superior do abdômen;

  • sensação de queimação no estômago;

  • estufamento;

  • náuseas;

  • sensação de digestão difícil;

  • saciedade precoce;

  • arrotos frequentes.


Entretanto, esses sintomas são inespecíficos.


Isso significa que ter dor no estômago não significa necessariamente ter H. pylori. Da mesma forma, uma pessoa infectada pode não apresentar nenhum sintoma. Por isso, o diagnóstico depende de avaliação médica e de testes apropriados.


Como descobrir se tenho H. pylori?


Existem diferentes métodos para diagnosticar a infecção.


Entre eles estão:


Endoscopia digestiva alta

Durante a endoscopia, o médico pode visualizar diretamente o esôfago, estômago e duodeno e, quando necessário, retirar pequenos fragmentos da mucosa para análise.


A biópsia pode permitir a identificação do H. pylori por diferentes métodos laboratoriais.


A endoscopia também é importante quando é necessário investigar alterações na mucosa, úlceras, sangramentos ou outras condições do aparelho digestivo.


Teste respiratório da ureia

É um exame não invasivo que avalia a presença da bactéria por meio da análise do ar expirado após a ingestão de uma substância específica.


Uma metanálise publicada em 2024, envolvendo 60 estudos, demonstrou elevada precisão diagnóstica para o teste respiratório com ureia, especialmente com ureia marcada com carbono-13.


Pesquisa de antígeno nas fezes

É outro método não invasivo que procura componentes da bactéria nas fezes.


Pode ser utilizado tanto para diagnóstico quanto, em situações apropriadas, para verificar se a infecção foi eliminada após o tratamento.


Todo paciente com dor no estômago precisa fazer teste para H. pylori?


Não necessariamente.


A indicação de investigação depende da idade, sintomas, histórico médico, fatores de risco, resultados de exames anteriores e avaliação do médico.


Por isso, não é recomendado simplesmente comprar um teste ou iniciar tratamento por conta própria.


O diagnóstico deve ser interpretado dentro do contexto clínico do paciente.


H. pylori tem tratamento?


Sim.


Quando a infecção está confirmada e existe indicação de tratamento, o objetivo é eliminar a bactéria, processo chamado de erradicação.


O tratamento normalmente envolve uma combinação de medicamentos, que pode incluir antibióticos associados a medicamentos que reduzem a acidez do estômago e, em determinados esquemas, bismuto.


A escolha do tratamento não deve ser feita de forma aleatória.


Um dos principais desafios atuais é o aumento da resistência do H. pylori aos antibióticos, o que pode diminuir a eficácia de determinados esquemas terapêuticos.


Por isso, as recomendações atuais consideram cada vez mais o histórico de uso de antibióticos e os padrões de resistência bacteriana.


É importante confirmar se a bactéria foi eliminada?


Sim.


Um dos erros que podem acontecer é o paciente terminar o tratamento, sentir-se melhor e considerar que o problema está resolvido.


Sentir-se melhor não necessariamente significa que o H. pylori foi eliminado.


Por isso, as diretrizes recomendam a confirmação da erradicação após o tratamento, utilizando métodos apropriados.


Esse acompanhamento é importante porque uma infecção persistente pode exigir nova avaliação e outro esquema terapêutico.


H. pylori pode causar câncer?


Existe uma relação comprovada entre a infecção por H. pylori e o câncer gástrico.


A bactéria é classificada pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como carcinógeno do Grupo 1, ou seja, existe evidência suficiente de que pode causar câncer em seres humanos.


Isso não significa que uma pessoa com H. pylori necessariamente desenvolverá câncer.


O desenvolvimento do câncer gástrico envolve vários fatores e geralmente ocorre ao longo de muitos anos.


Entretanto, a infecção pode participar de uma sequência de alterações na mucosa gástrica que, em alguns pacientes, pode evoluir de inflamação crônica para atrofia, metaplasia, displasia e, posteriormente, câncer.


Eliminar o H. pylori diminui o risco de câncer?


As evidências indicam que a erradicação da bactéria pode reduzir o risco de câncer gástrico, especialmente quando realizada antes que alterações pré-cancerosas avançadas estejam estabelecidas.


Por isso, o diagnóstico e o tratamento adequados fazem parte das estratégias de prevenção do câncer gástrico.


É importante, entretanto, entender que eliminar a bactéria não significa eliminar completamente o risco de câncer, especialmente quando já existem alterações importantes na mucosa do estômago.


Posso tratar H. pylori por conta própria?


Não é recomendado.


O tratamento envolve antibióticos e outros medicamentos, e a escolha inadequada pode contribuir para falha terapêutica e resistência bacteriana.


Além disso, diferentes pacientes podem ter diferentes fatores de risco e histórico de uso de antibióticos.


O tratamento deve ser prescrito por profissional habilitado e acompanhado adequadamente.


H. pylori é contagioso?


A transmissão do H. pylori ainda envolve diferentes fatores e pode ocorrer dentro de ambientes familiares, especialmente em contextos de exposição precoce.


No entanto, não é correto afirmar simplesmente que a bactéria é transmitida por uma única forma específica em todas as situações.


Questões relacionadas às condições sanitárias, higiene, água e exposição intrafamiliar podem influenciar a transmissão.


Por isso, medidas gerais de higiene e saneamento são importantes.


H. pylori e endoscopia: qual a relação?


A endoscopia digestiva alta é um dos principais exames utilizados para investigar sintomas do aparelho digestivo superior.


Durante o procedimento, o médico pode avaliar visualmente a mucosa e, quando indicado, coletar fragmentos para análise.


Isso permite investigar não apenas o H. pylori, mas também gastrite, úlceras, pólipos, alterações pré-neoplásicas e outras doenças.


Portanto, a endoscopia não serve apenas para "procurar a bactéria".


Ela permite uma avaliação mais completa do estômago e do duodeno quando existe indicação clínica.


Quando procurar um gastroenterologista?


Procure avaliação médica se você apresenta sintomas digestivos persistentes, principalmente:


  • dor ou queimação frequente no estômago;

  • desconforto abdominal recorrente;

  • náuseas persistentes;

  • dificuldade para se alimentar;

  • perda de peso sem explicação;

  • anemia;

  • vômitos recorrentes;

  • histórico de úlcera;

  • histórico familiar relevante de câncer gástrico.


Alguns sinais de alerta, como vômito com sangue, fezes negras, perda de peso inexplicada ou dificuldade progressiva para engolir, exigem avaliação médica rápida.


H. pylori não deve ser ignorado


O Helicobacter pylori é uma bactéria comum, mas isso não significa que sua presença deva ser ignorada.


Ela pode permanecer silenciosa durante anos e, em determinadas pessoas, provocar inflamação crônica, úlceras e aumentar o risco de câncer gástrico.


A boa notícia é que a infecção pode ser diagnosticada e tratada.


O mais importante é evitar a automedicação e buscar uma avaliação adequada.


Cuide do seu estômago antes que os sintomas apareçam


Dor, queimação ou desconforto no estômago não devem ser tratados indefinidamente apenas com medicamentos para aliviar os sintomas.


É importante investigar a causa.


Na Clínica Endonette, a avaliação gastroenterológica e os exames endoscópicos podem fazer parte da investigação das doenças do aparelho digestivo, sempre de acordo com a indicação médica.


Cuidar da saúde digestiva é também uma forma de prevenção.

Referências científicas


Autor: Guilherme Carvalho


  • Chey WD et al. ACG Clinical Guideline: Treatment of Helicobacter pylori Infection. American Journal of Gastroenterology. 2024.

  • Núcleo Brasileiro para Estudo do Helicobacter pylori e Microbiota; Federação Brasileira de Gastroenterologia. V Brazilian Consensus Conference on Helicobacter pylori Infection. Arquivos de Gastroenterologia. 2026.

  • Lemos FFB et al. Urea breath test for Helicobacter pylori infection in adult dyspeptic patients: A meta-analysis of diagnostic test accuracy. World Journal of Gastroenterology. 2024.

  • Spagnuolo R et al. Change in Diagnosis of Helicobacter pylori Infection in the Treatment-Failure Era. Antibiotics. 2024.

  • Chivu RF et al. The Role of Helicobacter Pylori Infection in the Development of Gastric Cancer – Review of the Literature. Chirurgia. 2024.

  • Park JY et al. Helicobacter pylori Screen-and-Treat Programs for Gastric Cancer Prevention – IARC Working Group Report. New England Journal of Medicine. 2026.

 
 
 

Comentários


bottom of page