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Balão intragástrico, Tirzepatida ou bariátrica

Foto do escritor: Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
18 de ago.
7 min de leitura

Atualizado: 20 de ago.

Balão intragástrico, Tirzepatida ou bariátrica

Por que o balão intragástrico continua sendo uma ótima opção mesmo com a tirzepatida e a cirurgia bariátrica?


Nos últimos anos, o tratamento da obesidade mudou significativamente. Medicamentos como a tirzepatida passaram a oferecer resultados expressivos na perda de peso, enquanto a cirurgia bariátrica continua sendo uma das estratégias mais eficazes para pacientes com obesidade em determinadas faixas de IMC e condições clínicas.


Diante dessas opções, uma pergunta é cada vez mais comum: Se existem medicamentos tão eficazes e a cirurgia bariátrica apresenta excelentes resultados, por que o balão intragástrico continua sendo uma opção de tratamento?


A resposta está em uma palavra: individualização.


O melhor tratamento para a obesidade não é necessariamente aquele que apresenta o maior percentual médio de perda de peso nos estudos. É aquele que, para determinado paciente, apresenta uma relação adequada entre eficácia, segurança, tipo de intervenção, objetivos, condições clínicas e possibilidade de manutenção dos resultados.


O balão intragástrico ainda tem espaço no tratamento da obesidade?


A resposta é Sim.


O balão intragástrico é uma terapia endoscópica e temporária que ocupa espaço no estômago e contribui para aumentar a saciedade, ajudando o paciente a reduzir a quantidade de alimentos ingeridos.


Ele não precisa ser encarado como concorrente direto da tirzepatida ou da cirurgia bariátrica.


Na realidade, essas estratégias podem ocupar diferentes posições dentro do tratamento da obesidade.


Diretrizes da American Gastroenterological Association recomendam que o balão intragástrico seja utilizado associado a mudanças de estilo de vida e acompanhamento adequado. Diretrizes conjuntas da American Society for Gastrointestinal Endoscopy e da European Society of Gastrointestinal Endoscopy também consideram terapias endoscópicas bariátricas, incluindo balões, uma opção para determinados pacientes com obesidade.


E a tirzepatida?


A tirzepatida representa um avanço importante no tratamento medicamentoso da obesidade.


No estudo SURMOUNT-1, adultos com obesidade ou sobrepeso associado a condições relacionadas ao peso apresentaram, após 72 semanas, redução média de 15,0% do peso com 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, enquanto o grupo placebo apresentou redução média de 3,1%. Os eventos adversos mais frequentes foram gastrointestinais e ocorreram principalmente durante o aumento das doses.


Isso demonstra que a tirzepatida é uma ferramenta altamente eficaz.


Mas alta eficácia não significa que seja a melhor opção para todos os pacientes.


O tratamento medicamentoso exige prescrição, acompanhamento e, em muitos casos, continuidade para manutenção dos resultados.


O estudo SURMOUNT-4 trouxe uma informação importante: pacientes que interromperam a tirzepatida após um período inicial de tratamento apresentaram recuperação significativa do peso, enquanto aqueles que continuaram o medicamento mantiveram e ampliaram a redução.


Isso não é uma crítica à tirzepatida. Pelo contrário: demonstra que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento precisa ser planejado também pensando na manutenção dos resultados.


E por que não fazer diretamente a cirurgia bariátrica?


A cirurgia bariátrica é uma ferramenta extremamente importante e, para determinados pacientes, pode ser a melhor escolha.


As diretrizes ASMBS/IFSO de 2022 recomendam a cirurgia metabólica e bariátrica para pessoas com IMC acima de 35 kg/m², independentemente da presença ou gravidade de comorbidades, e recomendam considerar a cirurgia em determinados pacientes com IMC entre 30 e 34,9 kg/m² associado a doença metabólica.


Além disso, evidências científicas mostram que a cirurgia bariátrica apresenta resultados importantes e duradouros na redução de peso e na melhora de diversas condições relacionadas à obesidade.


Mas cirurgia é cirurgia.


Ela envolve anestesia, intervenção operatória, alterações anatômicas e necessidade de acompanhamento médico e nutricional de longo prazo.


Por isso, nem todo paciente que precisa emagrecer precisa necessariamente passar por uma cirurgia.


A decisão deve considerar o grau da obesidade, doenças associadas, histórico de tratamentos, riscos cirúrgicos, expectativas e características individuais.


Onde o balão intragástrico entra nessa história?


É justamente nesse espaço que o balão pode apresentar uma vantagem importante.


Ele oferece uma alternativa menos invasiva que a cirurgia, sem alterar permanentemente a anatomia do sistema digestivo.


Para determinados pacientes, isso pode representar uma estratégia intermediária entre mudanças de estilo de vida, tratamento medicamentoso e cirurgia.


Uma publicação de 2026 descreveu o balão como uma opção minimamente invasiva e de duração limitada que pode preencher uma lacuna entre intervenções comportamentais e cirurgia bariátrica em pacientes selecionados.


O balão realmente funciona?


Sim.


Uma metanálise publicada em 2025 avaliou 15 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 1.961 pacientes, e encontrou resultados superiores do balão em relação à terapia médica padrão para diferentes medidas de perda de peso aos 6, 9 e 12 meses.

Outra revisão sistemática e metanálise, envolvendo 13 estudos randomizados e 1.523 pacientes, também encontrou maior perda de peso com o balão em comparação com intervenções de estilo de vida isoladas.


Portanto, o balão não é uma técnica ultrapassada que perdeu espaço após o surgimento de novos medicamentos.


Ele continua respaldado por evidências científicas.


Uma das grandes vantagens: não é uma cirurgia


O balão intragástrico é colocado por via endoscópica e não exige uma operação abdominal convencional.


Isso faz diferença para alguns pacientes que:


  • não desejam realizar cirurgia bariátrica;

  • não apresentam indicação ou não estão preparados para uma cirurgia;

  • desejam uma abordagem menos invasiva;

  • precisam de uma estratégia temporária para iniciar o processo de emagrecimento;

  • necessitam reduzir peso antes de outra intervenção;

  • apresentam preferência por uma abordagem endoscópica.


É importante destacar que isso não significa que o balão seja isento de riscos. O procedimento precisa ser realizado por equipe habilitada e acompanhado adequadamente.


O balão também pode ajudar na mudança de comportamento


Um dos objetivos do tratamento não deve ser apenas fazer o paciente perder peso durante alguns meses.


É necessário aproveitar o período de tratamento para trabalhar hábitos alimentares, atividade física, comportamento alimentar e outros fatores relacionados à manutenção do peso.


O consenso brasileiro sobre balão intragástrico destaca a importância da seleção adequada dos pacientes, acompanhamento multidisciplinar, manejo dos efeitos adversos e acompanhamento após o procedimento.


Em outras palavras: o balão pode ser uma ferramenta para ajudar o paciente a construir uma nova rotina.


Balão, tirzepatida ou cirurgia: qual é melhor?


Essa pergunta não possui uma resposta única.


Podemos pensar de maneira simples:


Tirzepatida

Pode ser uma excelente alternativa para pacientes que possuem indicação para tratamento farmacológico e respondem adequadamente ao medicamento.

Principal característica: tratamento medicamentoso, com necessidade de acompanhamento e, em muitos casos, continuidade para manutenção dos resultados.


Cirurgia bariátrica

Pode ser a estratégia mais adequada para determinados pacientes com obesidade mais avançada e/ou doenças associadas.

Principal característica: maior intervenção, com alterações anatômicas e necessidade de acompanhamento de longo prazo.


Balão intragástrico

Pode ser uma alternativa para pacientes selecionados que procuram uma abordagem endoscópica, temporária e menos invasiva que a cirurgia.

Principal característica: tratamento endoscópico e temporário, que deve estar associado a mudanças de estilo de vida e acompanhamento.


O que realmente importa não é escolher o tratamento mais famoso


A popularidade de um medicamento ou procedimento não deve determinar a escolha do tratamento.


O paciente precisa ser avaliado individualmente.


Uma pessoa pode apresentar excelente resposta à tirzepatida. Outra pode se beneficiar mais de uma abordagem endoscópica. Para outra, a cirurgia bariátrica pode apresentar melhor relação entre benefícios e riscos.


E existem situações em que diferentes estratégias podem fazer parte de um planejamento sequencial ou combinado, sempre sob avaliação médica.


O balão pode ser uma ponte para outros tratamentos?


Em alguns pacientes, sim.


A redução de peso proporcionada pelo balão pode ser utilizada como parte de uma estratégia mais ampla, inclusive quando o objetivo é melhorar as condições clínicas antes de outro procedimento.


Entretanto, essa decisão não deve ser automática. É necessária avaliação individual para determinar se essa estratégia realmente oferece benefício.


Um tratamento não elimina a importância do acompanhamento


Independentemente da escolha — balão, medicamento ou cirurgia — o tratamento da obesidade não termina quando o paciente atinge determinado número na balança.


A obesidade é uma doença crônica e recorrente que pode apresentar reganho de peso com maior facilidade.


O próprio estudo SURMOUNT-4 demonstrou que a retirada da tirzepatida esteve associada a recuperação significativa do peso em grande parte dos participantes, reforçando a necessidade de planejamento para manutenção dos resultados.


Da mesma forma, o balão não deve ser considerado uma solução isolada. O acompanhamento após sua retirada é fundamental para consolidar hábitos e trabalhar a manutenção do peso.


Afinal, por que o balão continua sendo uma ótima opção?


Porque a evolução da medicina não faz com que tratamentos anteriores simplesmente deixem de existir.


Ela aumenta o número de ferramentas disponíveis e hoje temos medicamentos cada vez mais eficazes, cirurgias metabólicas com resultados comprovados e tratamentos endoscópicos que também apresentam evidências científicas.


Isso é positivo para o paciente.


Quanto maior o número de opções, maior a possibilidade de encontrar uma estratégia adequada para cada perfil.


O balão intragástrico continua sendo uma ótima opção porque oferece uma alternativa endoscópica, temporária e menos invasiva que a cirurgia para pacientes selecionados, com evidências de eficácia e possibilidade de integração a um programa estruturado de mudança de hábitos.


A pergunta certa não é "qual tratamento está na moda?"


A pergunta correta é: "Qual tratamento é mais adequado para mim?"


Essa resposta depende de uma avaliação médica individualizada, considerando peso, IMC, composição corporal, doenças associadas, histórico de tratamentos, medicamentos utilizados, comportamento alimentar, objetivos e expectativas.


Na Clínica Endonette, o tratamento do excesso de peso deve ser encarado como um processo de cuidado com a saúde — e não apenas como uma busca por um número menor na balança.


Conclusão


A tirzepatida não tornou o balão intragástrico obsoleto.


A cirurgia bariátrica também não.


São ferramentas diferentes para pacientes diferentes.


O avanço da medicina não está em escolher um único tratamento como "o melhor", mas em saber quando cada estratégia pode oferecer maior benefício ao paciente.


O balão intragástrico continua tendo seu espaço justamente porque combina uma abordagem endoscópica, temporária e menos invasiva com resultados demonstrados em estudos clínicos, podendo ser uma alternativa importante para pacientes adequadamente selecionados.


Emagrecer é importante. Escolher o tratamento adequado, com segurança e acompanhamento médico, é ainda mais importante.



Autor: Guilherme Carvalho


Referências científicas

  1. Amaral GO et al. Intragastric balloon for obesity treatment: Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Endoscopy International Open. 2025.

  2. Popov VB et al. Efficacy of Intragastric Balloons for Weight Loss in Overweight and Obese Adults: a Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Gastrointestinal Endoscopy. 2020.

  3. Muniraj T et al. AGA Clinical Practice Guidelines on Intragastric Balloons in the Management of Obesity. Gastroenterology. 2021.

  4. Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine. 2022.

  5. Aronne LJ et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024.

  6. Eisenberg D et al. 2022 ASMBS and IFSO Indications for Metabolic and Bariatric Surgery. Obesity Surgery. 2023.

  7. American Society for Gastrointestinal Endoscopy-European Society of Gastrointestinal Endoscopy guideline on primary endoscopic bariatric and metabolic therapies for adults with obesity. 2024.

  8. Brazilian Intragastric Balloon Consensus Statement (BIBC): practical guidelines based on experience of over 40,000 cases. 2017.

  9. Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Complicações Associadas à Obesidade. Arquivos Brasileiros de Cardiologia / SciELO.

 
 
 

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