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Obesidade é doença?

Foto do escritor: Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
20 de ago.
6 min de leitura
Obesidade é uma doença grave


SIM - A obesidade é uma doença grave: muito além do excesso de peso


Durante muito tempo, a obesidade foi tratada como uma simples consequência de comer demais ou fazer pouca atividade física. Hoje, sabemos que essa visão é incompleta.


A obesidade é uma doença crônica, recorrente, complexa e multifatorial, que pode afetar diversos órgãos e aumentar o risco de várias outras doenças. Por isso, não deve ser encarada apenas como uma questão estética ou como falta de força de vontade.


Diretrizes médicas recentes reforçam que o tratamento da obesidade deve ter como objetivo não apenas reduzir o peso, mas também diminuir o risco de complicações, melhorar a saúde e aumentar a qualidade de vida.


Por que a obesidade é considerada uma doença?


O organismo humano possui mecanismos complexos que regulam fome, saciedade, gasto energético e armazenamento de gordura.


Esses mecanismos podem ser influenciados por diversos fatores, como genética, hormônios, sono, alimentação, medicamentos, ambiente, saúde mental, atividade física e condições metabólicas.


Por isso, duas pessoas podem ter alimentação e rotina semelhantes e apresentar respostas completamente diferentes em relação ao peso.


A obesidade não pode ser explicada por um único fator.


Ela resulta da interação de múltiplos fatores e pode apresentar evolução crônica e progressiva. Estudos brasileiros também destacam que a obesidade grave está associada a maior risco de complicações, redução da qualidade de vida e menor expectativa de vida.


Obesidade não é apenas estar acima do peso


O excesso de gordura corporal pode provocar alterações metabólicas e inflamatórias que afetam diferentes sistemas do organismo.


Entre os problemas associados à obesidade estão:


  • diabetes tipo 2;

  • hipertensão arterial;

  • alterações do colesterol e triglicerídeos;

  • doenças cardiovasculares;

  • insuficiência cardíaca;

  • apneia obstrutiva do sono;

  • doença hepática relacionada ao excesso de gordura;

  • problemas articulares;

  • alterações metabólicas;

  • alguns tipos de câncer;

  • redução da qualidade de vida.


Uma publicação recente descreve mais de 200 possíveis complicações associadas à obesidade, envolvendo diferentes sistemas do organismo.


Por isso, olhar apenas para o número apresentado na balança pode esconder uma parte importante do problema.


O coração também sofre


A relação entre obesidade e doenças cardiovasculares é particularmente importante.


A obesidade está associada a fatores como hipertensão, diabetes, alterações do colesterol e inflamação crônica, que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.


Além disso, o excesso de tecido adiposo pode provocar alterações estruturais e funcionais no coração.


A Diretriz Brasileira de 2025 destaca a obesidade como um importante fator de risco cardiovascular e recomenda que a avaliação do paciente considere seu risco cardiovascular e suas possíveis complicações.


Isso muda a maneira como devemos enxergar o tratamento.


O objetivo não deve ser apenas perder peso. É preciso reduzir os riscos que o excesso de gordura está causando à saúde.


Obesidade e diabetes: uma relação importante


A obesidade é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.


O excesso de gordura corporal, principalmente quando acompanhado de aumento da gordura visceral, está relacionado à resistência à insulina.


Com o passar do tempo, o organismo pode apresentar maior dificuldade para controlar a glicose no sangue.


A boa notícia é que a redução de peso pode melhorar diversos fatores de risco metabólicos e, em determinadas situações, ajudar a prevenir ou retardar o desenvolvimento do diabetes tipo 2.


A diretriz brasileira de 2025 recomenda redução sustentada de pelo menos 5% do peso em adultos com sobrepeso ou obesidade e risco cardiovascular moderado, justamente pela possibilidade de melhorar fatores de risco como hipertensão e alterações lipídicas e retardar ou evitar o surgimento do diabetes tipo 2.


Dormir mal também pode estar relacionado à obesidade



A apneia obstrutiva do sono é outro problema frequentemente associado à obesidade.

Durante o sono, a pessoa apresenta episódios repetidos de obstrução das vias aéreas, podendo ocorrer quedas na oxigenação.

Isso pode provocar sonolência durante o dia, cansaço, dificuldade de concentração e alterações cardiovasculares.


A obesidade está entre os fatores relacionados à apneia, e a perda de peso pode contribuir para reduzir sua gravidade em determinados pacientes.


Por isso, roncar intensamente, acordar cansado ou apresentar sonolência excessiva durante o dia não deve ser simplesmente considerado "normal".


Pode ser necessário investigar.


A obesidade pode afetar a qualidade de vida


Os impactos da obesidade não são apenas físicos.


Dor, dificuldade para realizar atividades cotidianas, limitação para praticar exercícios, alterações do sono, problemas metabólicos e dificuldades relacionadas à mobilidade podem comprometer significativamente a qualidade de vida.


Além disso, pessoas com obesidade frequentemente enfrentam estigma e preconceito, inclusive em ambientes de saúde.


Esse preconceito pode fazer com que algumas pessoas deixem de procurar ajuda ou adiem o tratamento.


Diretrizes atuais reforçam a importância de reduzir o estigma relacionado ao peso e tratar a obesidade de maneira individualizada e centrada na pessoa.


"É só fechar a boca e fazer exercício"?


Essa frase parece simples, mas não representa a complexidade da doença.

Alimentação equilibrada e atividade física são componentes fundamentais do tratamento.


Porém, algumas pessoas podem precisar de estratégias adicionais.


Dependendo do grau da obesidade, presença de doenças associadas, histórico de tratamentos e características individuais, o médico pode considerar diferentes possibilidades terapêuticas, que podem incluir acompanhamento nutricional e comportamental, medicamentos, procedimentos endoscópicos ou cirurgia bariátrica.


A escolha deve ser individualizada.


A diretriz brasileira de 2025 propõe justamente uma abordagem baseada no risco e nas complicações associadas à obesidade, e não exclusivamente no IMC ou na quantidade de peso a ser perdida.


Nem todo paciente precisa do mesmo tratamento


Esse é um dos pontos mais importantes.


A obesidade pode apresentar diferentes graus de gravidade e diferentes complicações.

Uma pessoa pode ter obesidade e não apresentar nenhuma doença associada identificada.


Outra pode apresentar hipertensão, diabetes, apneia do sono, doença cardiovascular ou alterações hepáticas.


Consequentemente, o tratamento não pode ser igual para todos.


O médico precisa avaliar o paciente como um todo para determinar os objetivos e a estratégia mais adequada.


Quanto antes cuidar, melhor


Reconhecer a obesidade como uma doença não significa colocar um rótulo no paciente.

Significa reconhecer que existe um problema de saúde que merece atenção.


Quanto mais cedo os fatores de risco e as complicações forem identificados, maiores são as possibilidades de estabelecer uma estratégia adequada para proteger a saúde.


O tratamento também não precisa esperar que a pessoa atinja um grau extremo de obesidade.


A avaliação precoce permite identificar riscos, estabelecer metas realistas e determinar quando intervenções adicionais podem ser necessárias.


O objetivo não é apenas emagrecer


Essa é uma mudança importante na medicina da obesidade.


O número apresentado pela balança é relevante, mas não é o único indicador de sucesso.


Um bom tratamento também pode buscar:


  • melhorar a pressão arterial;

  • controlar a glicemia;

  • melhorar o colesterol;

  • reduzir gordura visceral;

  • melhorar a qualidade do sono;

  • reduzir dores e limitações físicas;

  • melhorar a capacidade de realizar atividades;

  • reduzir o risco cardiovascular;

  • melhorar a qualidade de vida;

  • prevenir ou controlar doenças associadas.


A abordagem atual recomenda priorizar a melhora da saúde e a redução das complicações, e não apenas uma determinada meta de peso.


Obesidade tem tratamento


Reconhecer a obesidade como uma doença grave não significa dizer que não existe solução. Pelo contrário.


Significa reconhecer que ela merece tratamento adequado.


Atualmente existem diferentes estratégias terapêuticas disponíveis, e a evolução da medicina ampliou significativamente as possibilidades de tratamento.


O mais importante é identificar qual estratégia é adequada para cada paciente.

Isso pode incluir mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, tratamento medicamentoso, terapias endoscópicas e, quando indicada, cirurgia metabólica ou bariátrica.


Quando procurar ajuda?


É importante procurar avaliação médica quando existe:


  • aumento progressivo do peso;

  • dificuldade persistente para perder peso;

  • histórico de tentativas de emagrecimento sem resultados duradouros;

  • pressão alta;

  • alteração da glicemia;

  • colesterol ou triglicerídeos elevados;

  • ronco intenso ou suspeita de apneia;

  • dores articulares relacionadas ao excesso de peso;

  • falta de ar ou redução da capacidade física;

  • histórico familiar importante de doenças metabólicas ou cardiovasculares.


A avaliação não serve apenas para determinar "quanto você precisa emagrecer".


Ela permite entender como o excesso de peso está afetando sua saúde.


Obesidade é uma doença. E merece ser tratada com seriedade.


A obesidade não deve ser motivo de culpa, vergonha ou julgamento. Também não deve ser ignorada.


É uma doença crônica que pode afetar diversos órgãos, aumentar o risco de outras doenças e comprometer a qualidade e a expectativa de vida.


Ao mesmo tempo, existem tratamentos eficazes e diferentes estratégias que podem ser utilizadas de acordo com as características de cada paciente.


O primeiro passo é reconhecer o problema e procurar ajuda especializada.


Na Clínica Endonette, o tratamento do excesso de peso deve começar com uma avaliação individualizada, buscando compreender o estado de saúde do paciente e definir uma estratégia adequada, segura e baseada em evidências.


Obesidade é uma doença. Cuidar dela é cuidar da sua saúde, da sua qualidade de vida e do seu futuro.


Autor: Guilherme Carvalho


Referências científicas

  • Valerio CM et al. 2025 Brazilian evidence-based guideline on the management of obesity and prevention of cardiovascular disease and obesity-associated complications: a position statement by five medical societies. Diabetology & Metabolic Syndrome. 2025.

  • Saraiva JFK et al. 2025 Brazilian Evidence-based Guideline on the Management of Obesity and Prevention of Cardiovascular Disease and Obesity-Associated Complications. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025.

  • Nadolsky K et al. American Association of Clinical Endocrinology Consensus Statement: Algorithm for the Evaluation and Treatment of Adults with Obesity/Adiposity-Based Chronic Disease – 2025 Update. Endocrine Practice. 2025.

  • Bannuru RR et al. Introduction and methodology: Standards of Care in Overweight and Obesity-2025. BMJ Open Diabetes Research & Care. 2025.

  • Koskinas KC et al. Obesity and cardiovascular disease: an ESC clinical consensus statement. European Journal of Preventive Cardiology. 2025.

  • Construção e validação de instrutivo para o cuidado nutricional da pessoa com obesidade grave no Sistema Único de Saúde. Ciência & Saúde Coletiva / SciELO. 2025.



 
 
 

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