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Tirzepatida sem acompanhamento médico: quais são os riscos?

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    Clínica Pioneira no tratamento da Obesidade através do Balão Intragástrico
  • há 11 minutos
  • 6 min de leitura



A tirzepatida se tornou uma das opções mais utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Os estudos científicos demonstram resultados importantes na redução do peso corporal, mas isso não significa que o medicamento possa ser utilizado por conta própria, sem avaliação médica ou sem conhecer as condições de saúde do paciente.


O uso inadequado pode aumentar o risco de efeitos adversos, interações medicamentosas, erros de dose e utilização de produtos sem procedência ou sem registro sanitário.


Tirzepatida é segura?


A tirzepatida é um medicamento que atua simultaneamente nos receptores de GIP e GLP-1, mecanismos envolvidos na regulação do apetite, saciedade, glicemia e metabolismo.


No Brasil, o Mounjaro® (tirzepatida) possui registro na Anvisa. Em 2025, a Agência aprovou sua utilização para controle crônico do peso, associada a dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso. Isso, porém, não significa que o medicamento seja adequado para todas as pessoas.


Como acontece com qualquer medicamento, a indicação precisa considerar o histórico clínico, outras doenças, medicamentos utilizados, características individuais e possíveis fatores de risco.


Por que fazer uma avaliação antes de iniciar a tirzepatida?


Antes de iniciar um tratamento para emagrecimento, o médico precisa entender quem é o paciente e quais fatores podem interferir na segurança e no resultado do tratamento.

Dependendo do caso, a avaliação pode envolver exames laboratoriais e investigação de condições como diabetes, alterações da função renal e hepática, alterações metabólicas, doenças da tireoide, problemas gastrointestinais e doenças da vesícula biliar.


Não existe uma lista única de exames obrigatória para todas as pessoas. A necessidade dos exames depende da avaliação clínica individual.


O objetivo não é simplesmente "liberar" o uso da medicação, mas identificar situações que possam modificar a escolha do tratamento, a dose, a velocidade de aumento da dose e o acompanhamento necessário.


O que pode acontecer quando a tirzepatida é usada sem acompanhamento?


1. Efeitos gastrointestinais podem ser subestimados

Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto gastrointestinal estão entre os efeitos adversos mais conhecidos da tirzepatida.


Uma análise dos estudos SURMOUNT-1 a SURMOUNT-4 mostrou que eventos gastrointestinais ocorreram com maior frequência nos grupos tratados com tirzepatida do que nos grupos placebo. A maioria foi considerada não grave e ocorreu principalmente durante o período de aumento da dose.


Sem acompanhamento, o paciente pode interpretar esses sintomas como algo que simplesmente precisa "aguentar", quando, dependendo da intensidade, pode ser necessário ajustar a conduta médica.


2. Desidratação e problemas renais podem ocorrer

Vômitos e diarreia intensos podem provocar perda de líquidos e desidratação.

A própria Anvisa inclui desidratação e insuficiência renal aguda entre eventos que foram observados durante a experiência de uso da tirzepatida.


Por isso, pacientes que apresentam sintomas gastrointestinais importantes precisam ser avaliados, principalmente quando possuem outras condições clínicas ou utilizam medicamentos que podem afetar a função renal.


3. Problemas na vesícula biliar precisam ser considerados

A perda de peso e o próprio tratamento podem estar relacionados a eventos envolvendo a vesícula biliar.


Uma metanálise envolvendo 12 estudos randomizados e mais de 12 mil participantes encontrou associação entre o uso de tirzepatida e doenças da vesícula ou das vias biliares, além de maior ocorrência de cálculos biliares em determinadas análises.

Isso não significa que todo paciente desenvolverá um problema na vesícula, mas demonstra por que o tratamento precisa ser acompanhado.


4. Pancreatite é uma situação que exige atenção

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode apresentar quadro grave.

Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos não encontrou aumento estatisticamente significativo do risco de pancreatite com tirzepatida em comparação aos grupos controle. Entretanto, alterações relacionadas à vesícula e às vias biliares foram observadas em algumas análises.


A Anvisa também reforçou, em alerta de farmacovigilância de 2026, a necessidade de prescrição e acompanhamento profissional para os medicamentos agonistas de GLP-1 e agonistas duplos GIP/GLP-1, devido à possibilidade de eventos adversos graves, incluindo pancreatite.


Dor abdominal intensa e persistente, principalmente quando acompanhada de náuseas ou vômitos, não deve ser ignorada.


O problema de aumentar a dose por conta própria


A tirzepatida possui um esquema de aumento progressivo de dose justamente para melhorar a tolerabilidade.


Tomar uma dose maior do que a indicada ou acelerar a progressão sem orientação médica pode aumentar a ocorrência de efeitos adversos.


Um relato publicado no PubMed descreveu lesão renal aguda após aumento acelerado da dose em um paciente com múltiplas condições clínicas, destacando a importância de identificar pacientes suscetíveis e monitorar a evolução do tratamento.


Isso não significa que o aumento de dose provoque lesão renal em todos os pacientes. Significa que a individualização do tratamento é importante.


E quando o produto não é aprovado pela Anvisa?


Esse é um dos pontos mais importantes.

É preciso diferenciar a tirzepatida registrada e comercializada regularmente de produtos que apenas afirmam conter tirzepatida.


A Anvisa tem realizado diversas ações contra produtos irregulares.

Em junho de 2026, a Agência determinou a apreensão de produtos contendo tirzepatida que não possuíam registro, notificação ou cadastro no Brasil. Também foram identificados produtos manipulados de forma irregular e sem prescrição médica individualizada.


Em outra fiscalização, a Anvisa interditou a produção irregular de tirzepatida após identificar falhas relacionadas ao controle de qualidade, incluindo a ausência de comprovação de ensaios necessários para verificar a segurança das preparações.

Em medicamentos injetáveis, questões como esterilidade, concentração, pureza, armazenamento e rastreabilidade são especialmente importantes.


Um produto de origem desconhecida pode não oferecer a mesma garantia de qualidade, segurança e composição de um medicamento devidamente registrado.


"Mas encontrei uma tirzepatida mais barata na internet"


Preço muito abaixo do mercado deve ser encarado como um sinal de alerta.

A Anvisa já determinou a apreensão de produtos falsificados ou sem registro relacionados à tirzepatida e ao Mounjaro®, incluindo produtos de origem desconhecida e medicamentos comercializados em condições inadequadas.


Por isso, medicamentos devem ser adquiridos de estabelecimentos regularizados e utilizados exatamente conforme a prescrição.


O que significa fazer um tratamento seguro?


Um tratamento responsável para emagrecimento não começa pela aplicação da primeira dose. Ele começa com uma avaliação.


O médico deve analisar:


  • histórico de saúde;

  • peso, IMC e composição corporal quando indicado;

  • doenças associadas;

  • medicamentos em uso;

  • histórico de tratamentos anteriores;

  • possíveis contraindicações ou precauções;

  • necessidade de exames;

  • resposta ao tratamento;

  • ocorrência de efeitos adversos;

  • evolução do peso e da saúde metabólica.


A dose também não deve ser escolhida simplesmente porque "funcionou para outra pessoa".


Cada paciente possui uma resposta individual ao tratamento.


Tirzepatida não é uma solução para ser usada por conta própria


Os estudos científicos mostram que a tirzepatida pode ser uma ferramenta eficaz no tratamento da obesidade. Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados encontrou redução significativa do peso e da circunferência abdominal, mas também destacou a necessidade de atenção aos eventos adversos gastrointestinais.


Portanto, o problema não está na tirzepatida quando corretamente indicada.


O problema está em transformar um medicamento de prescrição em uma solução para automedicação.


Antes de emagrecer, cuide da sua segurança


Emagrecer é importante, mas emagrecer com segurança é ainda mais importante.


A tirzepatida pode fazer parte de um tratamento médico eficaz para determinados pacientes. Porém, a escolha do medicamento, a dose, o momento de iniciar, os exames necessários e o acompanhamento devem ser individualizados.


Além disso, produtos sem registro sanitário, de origem desconhecida ou comercializados irregularmente não devem ser utilizados.


Na Clínica Endonette, o tratamento para emagrecimento começa com avaliação médica individualizada, buscando identificar a estratégia mais adequada para cada paciente, com acompanhamento durante todo o processo.


Em resumo


Não comece tirzepatida por conta própria.

Antes de utilizar qualquer medicamento para emagrecimento, procure um médico, faça a avaliação indicada para o seu caso e utilize somente produtos de procedência regular.

A perda de peso deve ser acompanhada de uma preocupação ainda maior: preservar a saúde durante todo o tratamento.



Autor: Guilherme Carvalho


Referências científicas

  • Moreira RO et al. Pharmacologic Treatment of Obesity in adults and its impact on comorbidities: 2024 Update and Position Statement of Specialists from ABESO and SBEM. Archives of Endocrinology and Metabolism. 2024.

  • Tirzepatide as a novel effective and safe strategy for treating obesity: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. PubMed.

  • Gastrointestinal tolerability and weight reduction associated with tirzepatide in adults with obesity or overweight with and without type 2 diabetes in the SURMOUNT-1 to -4 trials. PubMed.

  • Zeng Q et al. Safety issues of tirzepatide (pancreatitis and gallbladder or biliary disease) in type 2 diabetes and obesity: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Endocrinology. 2023.

  • Risk of biliary diseases in patients with type 2 diabetes or obesity treated with tirzepatide: A meta-analysis. PubMed.

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação. 2025.

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Alerta 02/2026 – Riscos relacionados ao uso indevido de medicamentos agonistas GLP-1 fora das indicações aprovadas da bula.

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anvisa proíbe venda de tirzepatida irregular. 2026.

 
 
 

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